A diferença está no que rege os investimentos!

15 09 2010

Em minha ultima viagem à Brasília li um artigo de Jeffrey D. Sachs, consultor especial para as Metas de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas (ONU), publicado pelo jornal Valor Econômico em 26/08, que me fez refletir muito até conseguir escrever este post.

Chamado “Crescimento na economia budista” (clique para ler), o artigo relata a viagem que Sachs fez ao Butão (pequeno país da região do Himalaia – Ásia) e o que aprendeu sobre a forma de se investir e de se medir o desenvolvimento do país. O Butão (aprox. 700 mil habitantes) é tipicamente budista, dotado de uma geografia acidentada e de povo bastante pobre composto principalmente por agricultores e pastores. O mais interessante, e alvo desta reflexão, é o como o país mede o seu desenvolvimento, não pelo PIB (produto interno bruto) mas sim pelo GHN (Felicidade Interna Bruta). Isto mesmo, o Butão mede o seu crescimento e desenvolvimento por meio do índice de felicidade da população. Utopia? Para eles, não!

Sachs relata que o GHN é definido por muitos fatores, dentre eles, claro, a satisfação de necessidades básicas como educação, saúde, segurança, infraestrutura, saneamento básico, etc, mas também é definido pela SUSTENTABILIDADE (veja aqui a definição) traduzido em como manter a sua tradicional cultura, igualdade da população, recursos naturais… Com isto o país vem se esforçando muito para poder ganhar dinheiro de forma sustentável e investi-lo de forma igualitária.

Para um país com infraestrutura limitada, e para o qual quase ninguém dá atenção, ao se conquistar o básico se desenvolve muito, o ganho é percebido rapidamente. Desta maneira para que o GHN cresça de forma homogênea, os investimentos e benfeitorias à população também devem ser.

Interessante a reflexão de que não se trata de uma utopia, mas sim de voltarmos no tempo e repensarmos as diretrizes básicas de felicidade. Claro que meu smartphone, meu iPod e notebook me trouxeram felicidade, mas isto pq já vivo em uma sociedade onde tenho as questões básicas citadas acima. Desta forma, como meu padrão de felicidade mudou (e meu padrão não Brasil, mas sim PEDRO pois em nosso país temos realidades piores que as do Butão) dou muito mais valor aos bens materiais individuais do que ao coletivo, à cultura (você não?)! Sachs diz ainda:

“(…) a atitude hiperconsumista à moda dos americanos pode desestabilizar as relações sociais e provocar agressividade, solidão, cobiça e excesso de trabalho à beira da exaustão. O que talvez seja menos reconhecido é como essas tendências se aceleraram nos próprios Estados Unidos nas décadas recentes. Isso pode ser resultado, entre outras coisas, da crescente e implacável investida das relações públicas e publicitárias. A questão de como conduzir uma economia para que produza felicidade sustentável – combinando bem-estar material com saúde humana, conservação ambiental e resistência psicológica e cultural – é a que deve ser abordada em todos os lugares.”

O artigo merece ser lido e relido algumas vezes… pensado…. refletido! Não quero nem 8 e nem 80, mas com ele podemos fazer algumas analogias com nosso cotidiano e mudar algumas formas de agir e pensar. Indo além, quem sabe você, na sua atual posição não consegue canalizar investimentos para que possamos realmente desenvolver o país de forma igualitária, topa abrir mão de algumas mordomias?

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