Como criamos as nossas “listas”?

10 01 2011

Este post é uma reflexão feita em um momento de “calor”, de indignação e de infelicidade com algumas coisas que tenho observado na web. Tornou-se comum a criação de listas de “melhores disto”, “maiores daquilo”, recomendações daqui e dali! Eu mesmo já entrei em uma delas, a lista dos #10RPsBR2010 idealizada pelo O Cappuccino.

Minha critica aqui não é direcionada as listas, acho que elas são válidas e fundamentais para termos “foco” em uma era onde temos bilhares de informações rondando a nossa volta. Onde conteúdo não é um problema, a dificuldade agora é absorver e “processar” tudo isto, ou seja, como usar todo este conteúdo ao qual temos acesso. Uma matéria da revista “continuum” do Itaú Cultural (veja aqui na pág 60.) aborda justamente a frenesi que as listas causam nas pessoas, seja para fazê-las, seja para levá-las em consideração.

Como disse, as listas são fundamentais, o grande problema é a imparcialidade de quem as faz! Reclamamos e zelamos pela liberdade de imprensa, queremos poder falar sobre o que bem entendermos. Queremos falar de política e políticos em nossos blogs, e tudo isto é legítimo, agora, estamos fazendo isto de forma ÉTICA e IMPARCIAL?

A criação de uma lista, segundo a própria matéria da “continuum” tem uma grande parcela de emocionalidade, de vivência e “gosto” do criador da lista. Vejo porém, muitas delas, ou das indicações para que as pessoas componham as listas (indicação popular), sendo criadas e “povoadas” visando única e exclusivamente a promoção do “criador” da lista. Eu vou lá, junto meia dúzia de gato pingado que quero me aproximar e BUM! a mágica está feita.

Acompanho muitos perfis no Twitter e tenho um Google Reader cujo marcador não sai do +1000. Leio menos do que o que gostaria para me manter informado sobre o mundo da comunicação e das Relações Públicas. Porém, fico extremamente chateado quando me deparo com listas que trazem perfis e blogs cujo cunho é fazer propagandas de cursos, repassar informações dos outros ou, ainda pior, fazer campanha em causa própria, se elencar na própria lista, o velho “Eu faço”, “Eu aconteço”, “Eu sou o máximo”.

Nós, comunicadores, criticamos duramente empresas que tem blogs com este cunho, se autopromover. Criticamos também aquelas empresas que vem para as redes sociais apenas para fazer promoções, ganhar “ouvintes” e repassar suas mensagens. Diante disto, como podemos criar estas listinhas indicando pessoas e blogs que fazem exatamente isto?

Temos casos em que a pessoa é ótima usuária do Twitter, seu blog, porém, está um pouco empoeirado, não traz conhecimento novo, apenas circula algumas informações. Em outros casos a situação é inversa. De qualquer forma, acho que nos falta mais critério ao montar estas listas. Nos falta conhecer um pouco mais sobre veículos e autores além de colocar a nossa ética e isenção para fazer parte da seleção.

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13 responses

10 01 2011
Tweets that mention Como criamos as nossas “listas”? « relações -- Topsy.com

[…] This post was mentioned on Twitter by Daiane Santana and Robson T Ferreira. Robson T Ferreira said: RT @prochno: Como você cria as suas "listas dos MAIS"? #blogrelacoes http://bit.ly/rel063 […]

10 01 2011
Rodrigo Cogo

Falou e disse, Pedro. Esta veia de auto-promoção disfarçada de “objetivos coletivos para as relações públicas” tem sido muito comum. O último grande “feito” nesta linha foi uma lista de blogs que “merecem” ser seguidos. Impressionante ver a elevada auto-estima de alguém que se entende tão bom pra taxar o trabalho dos outros e fazer listas deles – ainda que, como seu post bem elucidou, a intenção final seja aproximar-se dos autores dos blogs e promover a si próprio. Beleza, parabéns pelo desabafo. Muito pertinente.

10 01 2011
Alexandre Costa

Pedro,

Mais uma vez, um excelente texto!
As listas, independente de sua forma de criação ou da escolha de seus participantes, sempre serão motivo de discussão. E, deixo a pergunta: dessas listas que povoam a rede, existe alguma que não seja para promoção das empresas ou dos autores?
Abraços,
@alexandre_amc

10 01 2011
Teresa Pitombo

Pedro, concordo com o que colocou e com os comentários dos meus colegas Rodrigo e Alexandre.
mais uma vez as pessoas estão perdendo o respeito com a audiência, leitores, internautas, etc.
O fato desse veiculo ser livre, de fácil acesso não nos dá ao direito de fazer dele o que bem entendemos e principalmente nós profissionais da comunicação.
Ultimamente não tenho acreditado em nenhuma lista, seja ela qual for e por que veículo foi elaborada. “As 100 melhores empresa para se trabalhar”, “As empresas sustentáveis”. “As melhores universidade”, etc. Qual é a necessidade desse ranqueamento? Por que dessa necessidade ?
A minha reflexão vai mais longe….
De qualquer maneira auto-promoção e “conchavo” entre amigos para isso é uma questão muito séria de desvio de caráter em que tenho que fazer “tudo” para ter notoriedade.
Bom, essa é a minha opinião e vesti a carapuça sobre o blog, mas prefiro colocar informações pertinentes de outros e sempre creditando ao autor do que escrever besteiras.
Abraços
@Teresa_Pit

10 01 2011
Célia Augusta

Pedro
Achei muito pertinente seu post. Aproveito para parabenizá-lo!. Passei 5 anos da minha vida exercitando a leitura e acompanhamento de blogs de vários lugares do mundo e de diversos assuntos. Quando decidi criar um, fui tímida e como iniciante na arte de posts, tenho tido muitas alegrias e me sinto feliz em ter oportunidade de tecer comentários (pois há muitos blogs interessantes que merecem nossos comentários e no entanto não são frequentes). Mas, como a Teresa_Pit ( a carapuço caiu-me bem, e, exponho assuntos e informações sempre creditando ao autor, tendo em vista que o meu blog é exatamente para isso. Divulgação, informação e acima de tudo conversas sobre os assuntos que no meu pensar vale a pena conversar. A facilidade com que a rede nos mostra as informações e a rapidez como elas nos chegam não nos dá o direito de simplesmente nos apropriarmos dela e re(editar) de uma forma desordenada. Como pontuar listas de melhores disso ou daquilo, se não conheço todos os elementos dessas listas? Agora que tem muita besteira, tem sim! E cada dia aparecendo mais. Ainda bem que existem blogs como este, textos como o seu!
abraços
Célia Augusta
www,kariritour.blogspot.com.br

10 01 2011
Ary Adurens

Pedro, ai vai meu comentário, como um usuário e não como profissional da área de comunicação.

Acho que como você bem colocou, as listas ajudam a filtrar bateladas de informações que recebemos ou temos acesso diariamente.

Concordo que muitas são parciais e até mais. Como usuário e não como criador estabeleço dentro de critérios individuais, valores, necessidades e gostos o que aproveitar e o que descartar. Dentro deste ponto de vista acredito que cabe a quem irá utilizar a lista julgar seu valor.

Também dentro de um ponto de vista de usuário não vejo problemas em uma empresa utilizar as redes sociais para passar suas mensagens e até mesmo de promover suas ações e produtos. Pq não enaltecer o que é bom?

Por último uma pergunta Seria possível criar uma lista totalmente imparcial? Será que ela seria percebida como tal por todos que a vissem ?

PS – a pergunta é para temperar o debate.

Abraços e parabéns

Ary

10 01 2011
Pedro Prochno

Ary,

Acho que o grande ponto da discussão que chegamos aqui, e propósito do post ao mencionar a imparcialidade, é o seguinte:
Não pega nada bem, e nem é algo correto ao se criar uma lista (na MINHA opinião), colocar a sí próprio nela, ou seja, eu crio uma lista onde indico o melhor blog de RP e coloco o relações em primeiro lugar…. :-S

Que elas são pessoais, levam emoção é indiscutivel, mas acho que um pouco de “simancol” faz bem né? 🙂

Célia e Teresa,
Replicar conteúdo também não tem nada errado, claro que quando a fonte é devidamente citada, assim como tive a oportunidade de ser por você, Teresa. O que não rola é somente isto, ou fazer um blog que APENAS agregue posts de outros lugares.
Eu, aqui no relações, uso muito conteúdo de outros lugares, mas sempre que os uso busco dar uma outra ótica à abordagem, uma outra forma de se ver o mesmo assunto, acho que isto é o que acaba provocando novas reflexões e nos faz sair do lugar 🙂

Obrigado todos pela participação

Pedro Prochno

10 01 2011
Gilceana Galerani

Pedro e colegas,

Acho válida nossa reflexão critica sobre as listas e sobre qualquer outro tema. Mas confesso que ando um tanto liberal demais ultimamente.

As listas apenas têm me facilitado conhecer novos blogs e perfis no twitter. Eu sinceramente considero pouco a avaliação de outros – faço a minha própria, com muito rigor e conforme meu contexto e meus interesses. E loguinho desisto se não gostar. Sei que com vários amigos tem sido assim também, quer dizer, a gente clica, dá uma boa testada por pouco tempo e então define se segue ou não! Por isso, gosto de todas as listas, pois elas me poupam procurar muito.

Defendo assim a divulgação de qualquer lista, de qualquer coisa na rede. E creio que cada um tem capacidade critica pra fazer sua avaliação pessoal. A rede está aí, é livre e isso é muito bacana. Se alguém quer se promover, no problem, promova-se! Cabem-nos as escolhas e o respeito pelo direito de cada um também poder escolher entre o que é certo ou errado para si.
@gilceana

11 01 2011
Aurélio Martins Favarin

Pedro e demais colegas,

Eu, que também sou detentor de um blog, acho que muitas vezes os detentores de espaços enviam informações por e-mail em demasia por não saberem utilizar os recursos existentes na internet.
Envio e-mails para as listas que participo, no máximo, 1 vez por mês. Faço isso para que os novos assinantes das listas possam conhecer o espaço e assinar o feed ou me seguir no Twitter (@aureliofavarin), onde sempre divulgo as atualizações.
Eu concordo com a Gil sobre a internet ser um espaço livre e reforço que existem diversos dispositivos na internet para tentar organizá-la, mas alguns detentores de espaços acabam não utilizando-as, acreditando que o e-mail é o meio mais eficaz – só se for para tomar tempo de quem não se interessa por aquilo.

Abraços,

Aurélio M. Favarin

11 01 2011
Cinara Moura

Pedro sempre tão crítico. Gosto muito dessa criticidade, assim como gostei do texto, amigo. Além deste problema, ainda vejo a questão da restrição que listas em geral trazem (incluindo número X de posts, twitters, blogs e afins e deixando uma infinidade de conteúdo de qualidade externo a elas)… Acho (e é o que tenho procurado fazer) que cada um deve fazer sua própria lista, criar suas próprias referências, pois elas mesmas guiam e indicam novas fontes, agregando valor de real conhecimento. De qualquer forma, as listinhas ou 10 dicas para “qualquer coisa” continuarão a existir pois apenas refletem a sede da sociedade em geral por fórmulas prontas. É uma pena! O que dá pra fazer é fugir delas e teu blog vem fazendo isso de uma forma bem bacana.

Abração!

13 01 2011
Jefferson Serozini

Olá Pedro,

Cheguei até o seu Blog pq ele foi recomendado (com os cabíveis créditos) Pela Teresa Pitombo. Visto a carapuça quando vc fala em blogs, mas não pelo sentido de reportar informações de outros lugares (até pq gosto de expor o meu ponto de vista sobre tudo e qualquer coisa), mas me identifico com a parte de talvez não agregar algo novo… um bom blog, uma boa intenção, mas faltando um pouco de inovação… não sei ao certo, ainda estou me adaptando com isso.

Mas entro no assunto para dizer que também me incomodo com os rótulos que são criados, onde números e quantidades superam a necessidade de se manter um padrão de qualidade – principalmente quando falamos em ética. De repente a necessidade de “aparecer” se tornar mais forte do que a necessidade de “construir” relacionamentos sólidos, bons contatos, com chance de uma rica troca de informações. Espero que muitos ainda passem por aqui (assim como os que já passaram) e leiam o que você escreveu… quem sabe assim não começa uma pequena corrente de alerta e dispertar do bom senso profissional? Eu fico na expectativa… abraços ^^

13 01 2011
Pedro Prochno

Jefferson, seja muito bem vindo 🙂

Enquanto não pararmos com a promoção pessoal e pensarmos na promoção coletiva teremos muitos problemas…. redes sociais são coletivas, olha a mudança que elas estão causando 🙂

O relações também pega conteúdo de um monte de lugares, processa tudo, mistura bem e cria algo novo, diferente…. e não fosse assim iamos ficar loucos pois, do que queremos falar, com certeza alguem já falou antes 🙂

Abraços

Pedro Prochno

13 01 2011
Pedro Prochno

Jefferson, seja muito bem vindo 🙂

Enquanto não pararmos com a promoção pessoal e pensarmos na promoção coletiva teremos muitos problemas…. redes sociais são coletivas, olha a mudança que elas estão causando 🙂

O relações também pega conteúdo de um monte de lugares, processa tudo, mistura bem e cria algo novo, diferente…. e não fosse assim iamos ficar loucos pois, do que queremos falar, com certeza alguem já falou antes 🙂

Abraços

Pedro Prochno

Pedro Prochno

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